16 de Julho de 2009

ESCURO


Van Gogh

Depois do cansaço os olhos ficam mais lentos.

15 de Julho de 2009

DIA DOS CINQUENTA


Van Gogh

Feliz aniversário ao que bem cozinha, ao que ouve Jazz e ao que ri de piadas quentes.

14 de Julho de 2009

DEPOIS


Van Gogh

Depois dos pés descalços, despejou a água suja da bacia. Depois do corpo dorido, o riso de uma noite sem sono. Porque a vida dos cansados também tem momentos.

13 de Julho de 2009

O TEMPO, O TÉDIO E A VIDA


Van Gogh

O livro que leio proporciona noites longas. A história existe além do escrito. Todas as páginas são lugar de paragem. A vida de Hans Castorp no cume de uma montanha foi conselho de um simpático colaborador do espaço Leya da Feira do Livro. Disse-me, depois de interpelação minha:
- Anda a ler Musil e não leu A Montanha Mágica? Acha normal?
- Só li A Morte em Veneza.
- E leu muito bem mas falta-lhe “A Obra”.
Dei uma gargalhada e trouxe o volume para casa com mais sete e um cesto de verga que serve para transportar hortaliças do mercado de Alvalade. Sempre que lhe pego lembro o sorriso adolescente que me falava da “obra” com o entusiasmo de leitor atento.
Há três páginas sublinhadas, notas sobre o tédio e o tempo aglomeram-se nas margens. A relação entre o tempo e as nossas vidas, a lesão que o tempo pode causar na vida ou a vida no tempo. Inquietante. Thomas Mann leva-nos à ideia de que a monotonia e o vazio fazem com que a percepção do tempo seja a de um período fastidioso e lento, contudo, os enormes e vazios períodos de tempo dissipam-se até ao nada, o que leva a que tempo do nada seja um tempo não preenchido que passa depressa demais.
Por outro lado, há a convicção de que um conteúdo interessante pode acelerar a hora ou até o dia, no entanto, o conteúdo confere peso, solidez e amplitude à marcha do tempo. Assim, os momentos ricos em acontecimentos acabam por passar mais devagar que os momentos leves e vazios “que o vento arrasta consigo como se folhas fossem”.
O nada de uma vida sem acontecimentos, pode levar-nos à sensação de lenta passagem. Errado. O vazio de circunstâncias é a marcha para a vida atravessada depressa e sem recheio. A ideia de recheio, de uma vida com acontecimentos e perspectivas, pode levar-nos à sensação de rápida corrida . Errado. Circunstâncias recheadas de ser e estar são a marcha para a vida atravessada devagar porque, muitas coisas acontecem. O tempo preenchido é mais longo, ou a sensação que dele temos.O tédio é, portanto, uma “abreviação doentia do tempo decorrente da monotonia”. Quando um dia é igual a todos os outros, a vida é igual a todos os dias e, assim, a vida é sentida como extraordinariamente curta, esgota-se na habituação quotidiana a um aglomerado de nadas vividos com sensação de lentidão que acabam por se evaporar.
Apenas a mudança pode preservar a nossa vida e dar-nos, do tempo, a ideia de que, por ser e estar recheado de conteúdos, nos permite uma passagem mais lenta e saborosa. Como os que afirmam: “tenho 80 anos mas vivi 200”. Esta é a sensação perfeita de quem passa pela vida e preenche o tempo sem dar lugar ao tédio. Porque o vazio causa sempre amargo de boca.

Publicado aqui.

12 de Julho de 2009

SONO


Van Gogh

A cada dia que passa, a percepção do sono é mais limpa. Ao acordar, espreguiçam-se todos os desejos, depois de uma Lisboa contente.

11 de Julho de 2009

PIROSO


Van Gogh

Piroso é o cor-de-rosa. A única cor que não identifica o feminino porque ser mulher não pode, nunca, significar cor-de-rosa.
Piroso é a flor pintada em sala cor-de-rosa. O único objecto que não devia poder pintar-se é a flor. É genuína demais para se plagiar.
Piroso é o som lamecha de Mariah Carey em aparelhagem cor-de-rosa. A única música que causa brotoeja a quem não usa essa cor e não pinta flores em quadros
.

10 de Julho de 2009

VINCENT VAN GOGH




Vincent Willem Van Gogh - 1853 - 1890
Pintor pós-impressionista, frequentemente considerado um dos maiores de todos os tempos.
A sua vida foi marcada por fracassos. Incapaz de constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contactos sociais, sucumbiu a uma doença mental, suicidando-se aos 37 anos.
A sua fama póstuma cresceu após a exibição de 71 das suas telas em Paris, a 17 de Março de 1901. Depois da sua morte a sua obra foi amplamente reconhecida.
Van Gogh é considerado pioneiro na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas, sendo a sua influência reconhecida em variadas frentes da arte do século XX, como por exemplo o expressionismo, o fauvismo e o abstraccionismo.
O Museu Van Gogh em Amsterdão é dedicado aos seus trabalhos e aos dos seus contemporâneos.

9 de Julho de 2009

AO LONGE


Keith Haring

Os mosquitos infestaram o vidro. A matrícula ficou pouco visível. A mortandade dos insectos contrastou com a vida do dia esticado debaixo do vento.
Depois das pernas frias e das costas molhadas, depois da luz que foi embora, Lisboa continuou longe.

8 de Julho de 2009

DOBRAS E GRITOS (35)

Eu sei que ninguém tem nada a ver com isso. Ninguém se interessa e todos se estão nas tintas mas... vou para a praia do peixe fresco, do melão partido aos bocadinhos, da água agitada e do sol radioso. Depois volto, cansada de recheios de alma e contente com todas as coisas.

MENINAS E MENINOS


Keith Haring

7 de Julho de 2009

QUE A MÚSICA SE OIÇA


Keith Haring

Depois de muito tempo, depois de muitos lugares, depois de muita gente, depois de tudo, a segurança de um lugar efectivo. Finalmente!